Constelação Familiar ajuda a pacificar conflitos judiciais

O método da Constelação Familiar, utilizado para observar as dinâmicas da família por meio de terapia breve, foi o tema da palestra desta quarta-feira, 11, dentro da programação da Semana da Justiça pela Paz em Casa. Magistrados e servidores participaram do encontro, no auditório Agnano Monteiro Lopes, no Fórum Cível de Belém, para conhecer a metodologia e a viabilidade de ser aplicada como técnica de solução de conflito no Judiciário, como já ocorre com a mediação e a conciliação.

De acordo com o método, o cliente da Constelação Familiar expõe o problema que almeja solucionar enquanto o terapeuta coleta informações importantes sobre a pessoa, seus pais, avós, tragédias e outras situações que possam indicar uma solução.

Segundo a analista judiciária Iná Pinheiro – que fez curso de formação em Constelação Familiar, entre 2011 e 2014, em Belém, pelo Instituto Hellinger -Institut Landshut Hohenthann da Alemanha -, o problema do cliente é colocado em um grupo comprometido com o sigilo e destinado a sustentar o trabalho sem julgamentos. “É um método que percebe a dinâmica oculta do sistema familiar. O ser humano não chega como algo isolado. Ele está inserido em um sistema, em um fluxo de vida. É importante se perceber como fluxo da vida”, completou.

Iná esclareceu que sempre que alguém é excluído do seio familiar por qualquer motivo, o sistema fica desfalcado – o que é chamado de perturbação – e exerce uma pressão para que sejam restabelecidos os vínculos. “A exclusão de um membro do sistema familiar é sentida como uma injustiça que exige compensação”, disse.

Atualmente, o método é utilizado na Vara de Família de Amargosa, na Bahia, com números elevados de conciliações. O método de Constelação Familiar está sendo utilizado pelo Judiciário como técnica alternativa e como etapa preparatória da mediação, nas soluções das ações de família, entre outras, e, consequentemente, na promoção da pacificação social.

A expectativa é de utilização do método como projeto piloto pela Coordenação Estadual de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) e pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos e Cidadania (Nupemec), como ressalta a juíza auxiliar da Coordenadoria da Mulher, Mônica Maciel.

“Pode ser adotado como modelo de justiça restaurativa, além de mediação e conciliação, na melhoria da resolução de conflitos nas Varas de Família, nos crimes de menor potencial ofensivo, nas Varas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. É possível trabalhar a vítima e o agressor exatamente no conflito interno e, com isso, buscar a restauração da família”, explicou a juíza.

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Iná Pinheiro, durante palestra sobre Constelação Familiar, no Agnano Lopes

 

A coordenadora estadual do Nupemec, desembargadora Dahil Paraense, afirmou que o método é importante para divulgar a cultura de paz. “O núcleo gere a política da pacificação social. Certamente, ajuda a evitar a judicialização de ações e auxilia na diminuição da cultura do litígio com o trabalho desenvolvido em conjunto”, disse.

O servidor Alexandre Rodrigues, da Corregedoria de Justiça das Comarcas do Interior, participou da dinâmica de apresentação do método. Ele disse que conheceu as Constelações Familiares por meio do facebook do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “O método pode auxiliar muito o magistrado no sentido de perceber o que acontece por trás dos conflitos que chegam ao Judiciário. Com isso, ele fica mais à vontade para decidir e para conciliar entre as partes nos conflitos familiares”, afirmou. Tatiana Ozório é assessora da Vara de Crimes contra Criança e Adolescente e disse já conhecer o método. “É a busca de mais uma ferramenta para a solução dos litígios”, finalizou.

Fonte: Coordenadoria de Imprensa
Texto: Will Montenegro